Tropeçar na felicidade

2008 Outubro 1
by NakedSelf

Comprei o livro homónimo de Daniel Gilbert no ano passado, não conluí a leitura até aos dias de hoje. Não por desinteresse, mas porque de facto a minha agenda não anda de todo compatível com estas leituras de médio/longo curso. O livro versa sobre como a memória nos prega partidas quando recordamos o passado e a imaginação nos prega rasteiras quando visualizamos o futuro. Tais erros são certos, regulares e sistemáticos. Obedecem a um padrão semelhante tal como sucede, por exemplo, com as ilusões de óptica. Segundo o autor, existem três tipos de ilusões de “previsão”. A primeira é o “realismo” – a crença de que as coisas são na realidade como parecem ser mentalmente. A segunda é o “presentismo” – a tendência para a experiência presente influenciar a nossa visão do passado e do futuro. A terceira é a “racionalização” – o acto de fazer com que algo seja ou pareça razoável. O autor refere que ”pensar no futuro pode ser tão agradável que muitas vezes preferimos pensar nele do que estar aqui”. Parte de mim acha que vivo um pouco assim. Mas a outra parte de mim (decerto o meu lado esquerdo) acha que sonhar é bom, que os sonhos são uma força motriz das nossas vidas, conduzindo-nos ao que somos e ao que temos no tempo presente. Este meu lado esquerdo acha também que vivo o presente o suficiente para me encantar com os pequenos nadas, contrariando essa ideia de que ao sonhar perco a capacidade de saborear aquilo que o tempo presente me proporciona. Entretanto o magnífico interlúdio revisitou algo já partilhado pelo belogue com a  mestria que lhe é habitual – o trabalho do artista Theo Jansen. A novidade para mim é que um dos links propostos pelo interlúdio nos leva a um artigo sobre este artista, mais precisamente uma entrevista, um formato de leitura que me agrada, curto e sumarento. Às tantas o Sr Theo Jansen responde o seguinte: “I can be fascinated with very little things. The clouds stimulate my imagination and sometimes I just sit somewhere and go on dreaming for a long time. Your head is also a computer. When you’re dreaming you are simulating a world in which you are living. During the night, it’s a dream you can’t control and during the day it’s more like a second life in your head. It’s all interpretations of the real world.” As simple as this. O livro, esse, vai permanecer na prateleira, sem qualquer demérito para o autor.

2 Respostas leave one →
  1. 2008 Outubro 1

    Excelente post ;)

    “(…)The clouds stimulate my imagination (…)” lembrou-me uma coisa que a minha Mãe me dizia muitas vezes: sorri para as nuvens e vais ver imagens lindas…ainda hoje o faço, em tom de sonho! ;)

    Boa noite e bons sonhos ;)

  2. 2008 Outubro 2

    Imagino o quanto gostes de o fazer ;)

Deixar uma Resposta

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscrever o feed deste comentário por RSS