Sobre a morte da criança por hipertermia

2009 Março 17
by NakedSelf

Há momentos terríveis na vida das pessoas. É só o que tenho a dizer sobre aquele pai que se esqueceu da criança no carro. Vale a pena ler este artigo no Público, do qual deixo o excerto que se segue.

“Os seres humanos, acrescenta Hickling, têm uma necessidade fundamental de criar e manter uma narrativa para as suas vidas em que o universo não é implacável e cruel, em que as coisas horríveis não acontecem ao acaso, e em que a catástrofe pode ser evitada se se estiver vigilante e se for responsável.

Nos casos de hipertermia, considera ele, os pais são diabolizados muito pelas mesmas razões. “Somos vulneráveis, mas não queremos que nos lembrem disso. Queremos acreditar que o mundo é compreensível e controlável e não ameaçador, que, se seguirmos as regras, ficaremos bem. Por isso, quando este tipo de coisas acontece a outras pessoas, precisamos de as colocar numa categoria diferente da nossa. Não queremos parecer-nos com elas e o facto de podermos ser é demasiado aterrador para lidarmos com ele. Por isso, elas têm de ser uns monstros.”

2 Respostas leave one →
  1. 2009 Março 24

    do que vale mesmo a pena pensar, a leveza de julgamentos, mesmo que os tribunais não condenem, há na maioria dos casos a consciência…não sou Mãe, nunca fui esquecida como filha, mas acredito que sem julgamentos, a questão principal que aqui se põe, na minha opinião é realmente a reavalição das prioridades, porque se é certo que o stress, a competitividade do dia a dia é crescente, a escolha de se ser Pai/Mãe, requer uma maior consciência, consistência…ouvi há dias numa rádio, que não me recordo qual, que a Maternidade/Paternidade deveria ser antes de mais pensada na perspectiva da criança que vem, e não num desejo de ser Mãe/Pai…ideia que partilho inteiramente! ;)

    Bom post, que tal como o artigo que partilhas, dá para longas reflexões e lições…:)

    beijinho à Loirinha!!!

  2. 2009 Março 24

    Não podia estar mais de acordo! Mas parece-me que cada vez mais as pessoas não encaram os filhos dessa forma, invertendo perspectivas, prioridades, demitindo-se da missão de educadores. Assuntos que nunca se esgotam, que já abordámos diversas vezes e que infelizmente continuam a ser tema do dia pelas piores razões. Mas estas razões têm que ser divulgadas e debatidas, pode ser que permitam recuperar referenciais e valores. Bj! ;)

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