cultura pop

No meu deserto

Finalmente depois de anos de pausa consegui ler um livro, no caso “No teu deserto” de Miguel Sousa Tavares. Há pelo menos 3 momentos marcantes para mim.

“Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer”.

“Não há regresso. Há viagens sem regresso nem repetição”. 

“(…) quando guardam para sempre um instante que nunca se repetirá, as fotografias não mentem – esse instante existiu mesmo. Porém, a mentira consiste em pensar que esse instante é eterno, que dois amantes felizes e abraçados numa fotografia ficaram para sempre felizes e abraçados. É por isso que não gosto de olhar para fotografias antigas: se alguma coisa elas reflectem, não é a felicidade, mas sim a traição -  quando mais não seja, a traição do tempo, a traição daquele mesmo instante em que ali ficámos aprisionados no tempo. Suspensos e felizes, como se a felicidade se pudesse suspender carregando no botão “pausa” no filme da vida”.

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Sensação de alívio

Num fortuito exercício Kabbalístico (e não vou opinar sobre Kabbalah e afins) fiquei a saber a partir da minha data de nascimento o meu nome e seu significado. Não me recordo do 1º, mas lembro-me que o significado era freedom. Ora hoje sinto-me precisamente qual Robbie Williams celebrando a sua liberdade depois da saída dos Take That:

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Contaminar

Esta expressão ganhou novas formas ao longo dos tempos, de longe menos pejorativas, fazendo apelo ao seu vigor. Mas conseguiste fazer com que lhe conheça o lado pejorativo de novo. Desde que me bateste à porta e já lá vão anos (!) que nada mais fizeste do que (me) contaminar. Abri-te a porta do meu mundo, que sabias de antemão que o faria desde logo, mas nele nem sequer te deste ao trabalho de entrar. Vi-te através do olhar com que mais ninguém te vê, repeti-me no meu incontrolável impulso da escrita de forma dedicada e exclusiva como tanto gostas, numa espécie de revivalismo do passado, ignorando a minha auto-estima e os que me rodeiam*. As tuas recorrentes não-respostas, porque é esse o estilo da tua escrita, eu diria mesmo da tua existência quase esquizofrénica, conseguiram a notável proeza de transformar os meus sentimentos noutros, menos nobres. Porque os sentimentos não se ignoram, não se enterram, eventualmente transformam-se. No meu mundo a única coisa que fizeste foi criar anticorpos, a cada não-resposta tua lá estão eles a crescer mais e mais, nem isto conseguiste decifrar. Mas conseguiste criar um exército, pelo que a mim não me contaminas tu mais.

* adaptado de “Dentro do meu mundo”, in Belogue

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A magia da vida

“Os adolescentes portugueses têm valores, preocupam-se com o bem-estar da família e sonham ter estabilidade emocional e profissional. Eis o retrato da investigadora Maria Gabriela Sousa e Silva, que contraria o rótulo de que os jovens não têm ideais. Os sonhos e os sentires dos jovens portugueses são retratados pela investigadora em três livros, a lançar quinta-feira, totalmente dedicados à adolescência e que reúnem testemunhos de dezenas de jovens de escolas do país. Em declarações à Lusa, a autora, que é também professora do ensino secundário, explicou que o objectivo foi dar espaço à partilha e divulgação do que realmente sentem e são os adolescentes portugueses. A colecção começa com o livro “Os Sonhos dos Adolescentes”, que contraria a ideia menos positiva de que os jovens não querem fazer nada na vida e não têm objectivos. “Não é nada disso. Este livro mostra que têm ideias muito sérias sobre a vida, que se preocupam com os pais e os avós de idade avançada, que querem ter uma família organizada e constituída e um emprego estável”, relata Maria Gabriela Sousa e Silva. Os sonhos destes jovens têm uma ordem bem definida: alcançar a felicidade, obter estabilidade económica e profissional, conhecer o mundo, estabelecer laços familiares, ter saúde, possuir habilitações académicas, ter casa própria, sentir apoio familiar e ajudar a família e os amigos. Num momento em que a adolescência é sistematicamente vista como um período de desinteresse pelas famílias e em que o tumulto e o conflito se manifestam, com as estatísticas a revelarem inúmeros casos de violência, tanto nas escolas como em casa, estes resultados são, no mínimo, surpreendentes, escreve a autora num dos livros. Perante os resultados obtidos, explica, é necessário abstermo-nos de rotular os adolescentes de “seres desprovidos de sentimentos e valores”. “Eles revelam-nos esses sentimentos e valores nos textos que construíram e nas respostas que elaboraram. Há neles um desejo ilimitado de construção. Desejam ser felizes e nessa felicidade incluem os familiares e amigos”, refere Maria Gabriela de Sousa Silva, no livro “Os Sonhos dos Adolescentes”. Já no livro intitulado “O Ser e o Estar na Adolescência”, a autora defende, depois de mais uma vez ouvir jovens de várias escolas do país, que é premente que a escola se preocupe não só com a aquisição de competências cognitivas mas também com a aquisição de valores e competências humanas. No terceiro livro, é abordado o prazer da leitura na adolescência, concluindo a investigadora que os livros devem ser escolhidos por equipas de trabalho que conheçam os gostos dos jovens. “Hoje, mais do que nunca, é necessário escolher acertadamente a leitura do adolescente ou perder-se-á a hipótese de, no futuro, vermos adolescentes e jovens a lerem”, defende a investigadora, que tem trabalhado na área da literatura emocional e que defende a introdução no currículo escolar de uma disciplina que trabalhe as emoções dos jovens através das obras literárias. No fundo, defende, a magia está em colocar-lhes nas mãos o livro certo, no momento certo.” (por Agência Lusa in i, 29.Out.09)

Adorei a frase final, porque extrapolada para os momento, formatos e dimensões adequados estamos nada mais nada menos do que a falar da magia da vida e no fundamental que é, cada vez mais, sabermos orientar os nossos filhos.

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My own shelter

Tenho saudades de me aninhar no aconchego do sofá num qualquer dia preguiçoso de inverno e de me deleitar com o consumo de música no formato DVD. Deixei de o fazer há muito, mas o que é possível antecipar com os vídeos disponíveis do recente Abbey Road de Anthony and The Johnsons deixa-me com água na boca. Finalmente o belíssimo “The crying light”, que dá nome ao último álbum, ganha forma em vídeo. Perdi os concertos em Maio deste ano no nosso país apenas porque a agenda profissional não o permitiu e o bom das versões em DVD é trazermos os nossos idolatrados para casa e podermos desfrutá-los as vezes que quisermos. Gosto do ambiente cru do estúdio, de poder ver os instrumentos que replicam ou recriam os temas, gosto de ver o Antony em si – a sua linguagem gestual sempre que não toca no piano e a forma como canta, impressionante o domínio do canto em si. E neste tema, que me leva sempre às atmosferas de uns This Mortal Coil, adoro a força da expressão de um “I was born to adore you”. Para quando o DVD?

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