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concerto

Se o concerto de Lou Rhodes teve pouca audiência, o de Elysian Fields motivou a mudança de sala, do Grande para o Pequeno Auditório e ainda assim parecíamos muito poucos, porque de facto éramos poucos. E estes são de longe os melhores concertos, absolutamente intimistas, até porque a entrega foi total. Uma voz noctívaga e uma guitarra como não me lembro de ouvir há muito. Sonoridades que me levam a Spain, Tindersticks e muito a Mazzy Star. O que Hope Sandoval não conseguiu fazer no Primavera Sound 2010 foi conseguido em pleno por Jennifer Charles. Uma noite como não me lembro há muito, tranquila, acolhedora, as ruas de sempre, os caminhos de sempre, as pessoas de sempre, esta cidade como gosto que seja. No final do concerto o ritual habitual que rendeu um “The afterlife” autografado pela dupla. Perfect.

“Where can we go but to the moon?”

Elysian Fields | “The Afterlife”

Classificação | 8 em 10

Finalmente tenho um tempinho para escrever sobre as nossas mini-férias (?) da semana passada. Venho com a convicção de que não há grupos que resultem melhor em determinados tipos de espaço – há, como em tudo na vida, diferentes capacidades de cada um, valências e níveis de profissionalismo. Porque nos festivais vemos precisamente que o que uns não conseguem fazer, conseguem outros. E não há como desculpar. Indo ao cartaz: como fomos para Barcelona com uma directa em cima, sobre um cansaço que nos acampanha há já muito tempo, na 1ª noite ficámo-nos por The XX e com muita pena minha. Gostaria de ter visto os Broken Social Scene e Pavement. The XX tiveram direito a uma legião de fãs que de alguma forma não interagiram tanto assim com a actuação, acho que a curiosidade era claramente dominante. Dia 28 começámos com Owen Pallet, uma actuação fenomenal, em linha com um Andrew Bird, sendo Owen Pallet de longe mais onírico que aquele. Seguiu-se uma Hope Sandoval, aguardada com imensa expectativa por muitos e que ao final de alguns temas foi perdendo assistência, nós incluídos. Enfadonho, pouca iluminação, voz sumida. Como teria que preterir Scout Niblett em favor de Hope, foi exactamente ao contrário. E Scout brindou-nos com uma actuação enérgica, ora acompanhada da sua guitarra, ora de bateria também, ora ela própria na bateria. Eu fiquei conquistada, aguçou-me a vontade de consolidar a escuta do seu mais recente álbum. Seguiu-se uma “pausa” para comer com uns Spoon como banda sonora que nos agradaram tanto que acabámos por assistir até ao fim. Os Beach House cativaram também uma imensa multidão e têm ainda algum trabalho a fazer para que a sua actuação ao vivo tenha mais qualidade, ainda que seja boa o suficiente para agradar. O que não falta em garra, falta em aprumo técnico. Seguimos para Wilco, um somatório de falhas técnicas, apesar de ter uma grande equipa em palco. Não nos agradou e logo a seguir os Pixies demonstraram que less is more, um assombro! Foi bom ver Kim Deal com aquele sorriso de estar agradada pelo imenso público e sua entrega. Apesar de não ser o melhor tema de Pixies, “Here comes your man” teve o efeito galvanizante de sempre em qualquer multidão que se preze. “Motorway to Roswell”, o tema de que mais gosto, ficou fora do alinhamento, mas estão perdoados! :) A última noite começou com uns decepcionantes Florence & The Machine – muita encenação, pouca voz, já não tenho paciência. Os Grizzly Bear levaram de novo uma multidão ao palco Ray Ban, mas menor que a que brindou os The XX. Seja ao vivo, seja no álbum, sinto sempre que falta algo aos Grizzly Bear – acho que o que os temas têm de rebuscado nem confere grandiosidade, nem permite que a execução ao vivo seja plena. Como optámos pelos Grizzly Bear, perdemos os The Drums, não percebo porque a organização deste festival prima por sobrepôr grupos destinados ao mesmo público alvo. Ainda assistimos a grande parte da excelente actuação dos The Charltans antes desta 10ª edição do festival acabar em grande com os Pet Shop Boys. Um concerto de conceito genial porque simples, e acresce dizer que nos cruzámos com a dupla na manhã do dia anterior no Eixample, tendo-nos recusado uma foto. Tivémos direito a “Being boring” (o meu tema favorito) e ao ainda hoje soberbo “West end girls” no encore.

Um belíssimo concerto para uma audiência calorosa, ainda que escassa. Uma sala verdadeiramente meio vazia, que em nada intimidou Lou Rhodes que chamou as pessoas para mais perto de si. Encanta-me sempre a capacidade de artistas como Lou Rhodes que conseguem dar conta de diversas tarefas durante o concerto. No caso a interpretação (aquela voz fantástica que flui sem qualquer esforço), tocar guitarra e dar conta da percussão com cada um dos pés, fantástico! Acabei por trazer o útlimo álbum, do qual só tinha a versão pirata. Uma noite excelente que rematou com um gelado na Emanha e um passeio na marginal. Ou ver as estrelas com Lou Rhodes ainda a ecoar nas nossas cabeças…

Escrever sobre o concerto de ontem na Aula Magna é também escrever sobre o mais recente álbum “All days are nights: songs for Lulu”. Não acompanhei Rufus desde sempre, é uma descoberta mais recente para mim e já o terei escrito algures por aqui. De tal forma que falhei por pouco os concertos que antecederam os desta semana no nosso país neste passado recente. But no regrets, at all, até porque a vida, como em tudo, não se esgota aqui. Rufus é uma referência para mim, devolve-me, entre outras coisas, à minha infância. Devolve-me aos clássicos que ouvia em casa dos meus pais, que revisita e recria com genialidade, nos seus mais diversos géneros. Todos os temas de Rufus têm tanto de contenção como de revelação, têm tanto de trágico como de sublime. O mais recente álbum, interpretado em bloco no concerto, é despido no que diz respeito a arranjos e instrumentos e no entanto pleno, denso e complexo, tal como a actuação a que assistimos ontem. Aquele conceito de “less is more” concretizado na perfeição, porque cheio de alma. Verdadeiramente inspirador.

Rufus Wainwright | “All days are nights: songs for Lulu”

Classificação | 9 em 10

De coisas boas na noite de ontem: um reencontro com amigos depois de cerca de 10 anos!, um jantar no Spazio Buondi e o concerto dos Massive Attack. A belíssima 1ª parte coube a Martina Topley Bird que fez o aquecimento para os Massive cujo espectáculo foi…um massive attack. Soberbo.

Que é não é todos os dias que ouvimos “Moonlight serenade” ao vivo e pela The Original Glenn Miller Orchestra. O espectáculo recria o espírito daqueles tempos e desta vez a plateia que foi ao CAE entusiasmou-se e correspondeu, apesar da idade média ser claramente superior à que foi ver Rodrigo Leão. O intérpete masculino da banda tem um timbre que por vezes leva a Sinatra e quase chegamos lá perto num medley de tribo ao mesmo. Se eu já andava imbuída do espírito natalício, hoje já “viajei” até uma NYC repleta de neve, so…shall we go?

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