
Finalmente tenho um tempinho para escrever sobre as nossas mini-férias (?) da semana passada. Venho com a convicção de que não há grupos que resultem melhor em determinados tipos de espaço – há, como em tudo na vida, diferentes capacidades de cada um, valências e níveis de profissionalismo. Porque nos festivais vemos precisamente que o que uns não conseguem fazer, conseguem outros. E não há como desculpar. Indo ao cartaz: como fomos para Barcelona com uma directa em cima, sobre um cansaço que nos acampanha há já muito tempo, na 1ª noite ficámo-nos por The XX e com muita pena minha. Gostaria de ter visto os Broken Social Scene e Pavement. The XX tiveram direito a uma legião de fãs que de alguma forma não interagiram tanto assim com a actuação, acho que a curiosidade era claramente dominante. Dia 28 começámos com Owen Pallet, uma actuação fenomenal, em linha com um Andrew Bird, sendo Owen Pallet de longe mais onírico que aquele. Seguiu-se uma Hope Sandoval, aguardada com imensa expectativa por muitos e que ao final de alguns temas foi perdendo assistência, nós incluídos. Enfadonho, pouca iluminação, voz sumida. Como teria que preterir Scout Niblett em favor de Hope, foi exactamente ao contrário. E Scout brindou-nos com uma actuação enérgica, ora acompanhada da sua guitarra, ora de bateria também, ora ela própria na bateria. Eu fiquei conquistada, aguçou-me a vontade de consolidar a escuta do seu mais recente álbum. Seguiu-se uma “pausa” para comer com uns Spoon como banda sonora que nos agradaram tanto que acabámos por assistir até ao fim. Os Beach House cativaram também uma imensa multidão e têm ainda algum trabalho a fazer para que a sua actuação ao vivo tenha mais qualidade, ainda que seja boa o suficiente para agradar. O que não falta em garra, falta em aprumo técnico. Seguimos para Wilco, um somatório de falhas técnicas, apesar de ter uma grande equipa em palco. Não nos agradou e logo a seguir os Pixies demonstraram que less is more, um assombro! Foi bom ver Kim Deal com aquele sorriso de estar agradada pelo imenso público e sua entrega. Apesar de não ser o melhor tema de Pixies, “Here comes your man” teve o efeito galvanizante de sempre em qualquer multidão que se preze. “Motorway to Roswell”, o tema de que mais gosto, ficou fora do alinhamento, mas estão perdoados!
A última noite começou com uns decepcionantes Florence & The Machine – muita encenação, pouca voz, já não tenho paciência. Os Grizzly Bear levaram de novo uma multidão ao palco Ray Ban, mas menor que a que brindou os The XX. Seja ao vivo, seja no álbum, sinto sempre que falta algo aos Grizzly Bear – acho que o que os temas têm de rebuscado nem confere grandiosidade, nem permite que a execução ao vivo seja plena. Como optámos pelos Grizzly Bear, perdemos os The Drums, não percebo porque a organização deste festival prima por sobrepôr grupos destinados ao mesmo público alvo. Ainda assistimos a grande parte da excelente actuação dos The Charltans antes desta 10ª edição do festival acabar em grande com os Pet Shop Boys. Um concerto de conceito genial porque simples, e acresce dizer que nos cruzámos com a dupla na manhã do dia anterior no Eixample, tendo-nos recusado uma foto. Tivémos direito a “Being boring” (o meu tema favorito) e ao ainda hoje soberbo “West end girls” no encore.