De cada vez que ouço um novo álbum de Lisa Germano tenho a sensação de que me é familiar, pelo cunho tão próprio da escrita, sonoridade e interpretação. Se isto nalguns compositores é sinal de estagnação, de estarem aprisionados a formatos e fórmulas recorrentes que nos levam a um “mais do mesmo” (como o mais recente EP de Robin Guthrie, é triste dizê-lo), no caso de Lisa acho que tal não acontece. Porque em cada novo álbum Lisa acrescenta, re-inventa como só ela sabe aquele seu mundo agreste, atormentado, feito de solidão, que tem tanto de encanto como de desilusão. Neste álbum os temas são mais cristalinos e o piano tem protagonismo, resultando numa candura envolvente. Harold Budd participa em “Paiting the doors” conferindo uma sonoridade que leva o mundo onírico de Lisa mais além.
- Hoje | “Amália hoje” (a ver se é desta que gosto de fado. Do tradicional não gosto, só se fôr este re-inventado);
- David Sylvian | “Manafon” (as escutadelas do mp3 tornaram-no num must have);
- Muse | “The resistance”;
- Cecilia Bartoli | “Sacrificium” (só o artwork da edição que está disponível é imperdível, presumo que à imagem do conteúdo – detalhes aqui. Parece-me no mínimo um excelente ponto de partida para me iniciar na obra desta senhora).
Hoje escolhi este álbum para a banda sonora da minha caminhada nocturna, e que noite! Precisava de algo easy listening e saiu melhor que a encomenda. O 1º tema levou-me logo a Aimee Mann e acho que todo o álbum é um pouco alinhado com aquela, entre outros registos no feminino, no sentido em que cada tema é quase que banda sonora de um filme urbano, em jeito de um ”Magnolia”. Nota-se cuidado e criatividade na composição, interpretação e produção, os temas são diversos e o conjunto resulta naquilo a que costumo chamar de pop-mais-que-perfeita.
Nem sempre tenho predisposição para estas sonoridades, mas por algum motivo a capa do álbum chamou-me a atenção e não descansei enquanto não ouvi. No tema de abertura foi impossível não pensar em Cat Stevens, noutros temas penso em Dylan e com algum jeito podemos chegar a Wilco. A composição dos temas tem toque de génio, com um tempero folk q.b. (que banjo em “Land of dreams”!), um piano delicioso e a interpretação é assombrosa. Destaco os temas “I love you, but goodbye”, “Land of dreams”, “Sunday by the sea” e ”Leaving my love”.
Finalmente alguma disponibilidade e tempo propício para organizar o meu Zen. Entre as novidades: David Sylvian, Kings of Convenience, Zero 7, Massive Attack, Lisa Germano, Langhorne Slim, entre outros. Langhorne Slim está a chamar a minha atenção, mas deixo para já este tranquilo e viciante “Me in you” dos Kings:
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