cultura pop

Trovante | “Baile no bosque”

 

 

 

Ao ouvir o CD “Canta o galo gordo” fiz um daqueles meus curto-circuitos mentais e lembrei-me deste álbum que marca a minha infância (e não de José Barata Moura que fazia as minhas delícias também). Lembro-me de adorar a capa, os temas e do entusiasmo dos meus pais ao regressarem de um concerto dos Trovante na altura em que divulgavam o álbum. Na última incursão à Fnac resolvi comprá-lo e à data continuo a achar que a “Balada das sete saias” conserva a mesma originalidade, “Prima da Chula” a mesma energia contagiante e “Outra margem” uma candura à proporção da letra. Este álbum motiva uma nostalgia absoluta, leva-me uma vez mais a ter saudades do passado, daquilo que não encontro mais no tempo presente, neste mundo onde cada vez menos me revejo. Tenho uma crescente dificuldade em encontrar à minha volta essa ternura, o sonho, a poesia:

 

 

“Junto destes olhos

eu sou testemunha

que a ternura nasce

por coisa nenhuma”

excerto de “Genérico”

 

“E com uma estrela na mão direita

e olhos grande e voz macia

ali chegaram para aprender

o sonho a vida a poesia”

excerto de “Outra margem” 

Classificação | 9 em 10

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Lisa Germano |”Magic Neighbor”

FrontCover Lisa Germano

De cada vez que ouço um novo álbum de Lisa Germano tenho a sensação de que me é familiar, pelo cunho tão próprio da escrita, sonoridade e interpretação. Se isto nalguns compositores é sinal de estagnação, de estarem aprisionados a formatos e fórmulas recorrentes que nos levam a um “mais do mesmo” (como o mais recente EP de Robin Guthrie, é triste dizê-lo), no caso de Lisa acho que tal não acontece. Porque em cada novo álbum Lisa acrescenta, re-inventa como só ela sabe aquele seu mundo agreste, atormentado, feito de solidão, que tem tanto de encanto como de desilusão. Neste álbum os temas são mais cristalinos e o piano tem protagonismo, resultando numa candura envolvente. Harold Budd participa em “Paiting the doors” conferindo uma sonoridade que leva o mundo onírico de Lisa mais além.

 

Classificação | 8 em 10

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Fresquinho

Da Fnac:

- Hoje | “Amália hoje” (a ver se é desta que gosto de fado. Do tradicional não gosto, só se fôr este re-inventado);

- David Sylvian | “Manafon” (as escutadelas do mp3 tornaram-no num must have);

- Muse | “The resistance”;

- Cecilia Bartoli | “Sacrificium” (só o artwork da edição que está disponível é imperdível, presumo que à imagem do conteúdo – detalhes aqui. Parece-me no mínimo um excelente ponto de partida para me iniciar na obra desta senhora).

Haja tempo!

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Elizabeth & The Catapult | “Taller children”

elizabeth & the catapult

Hoje escolhi este álbum para a banda sonora da minha caminhada nocturna, e que noite! Precisava de algo easy listening e saiu melhor que a encomenda. O 1º tema levou-me logo a Aimee Mann e acho que todo o álbum é um pouco alinhado com aquela, entre outros registos no feminino, no sentido em que cada tema é quase que banda sonora de um filme urbano, em jeito de um ”Magnolia”. Nota-se cuidado e criatividade na composição, interpretação e produção, os temas são diversos e o conjunto resulta naquilo a que costumo chamar de pop-mais-que-perfeita.

 

Classificação | 7 em 10

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Langhorne Slim | “Be set free”

Langhorne Slim

 

Nem sempre tenho predisposição para estas sonoridades, mas por algum motivo a capa do álbum chamou-me a atenção e não descansei enquanto não ouvi. No tema de abertura foi impossível não pensar em Cat Stevens, noutros temas penso em Dylan e com algum jeito podemos chegar a Wilco. A composição dos temas tem toque de génio, com um tempero folk q.b. (que banjo em “Land of dreams”!), um piano delicioso e a interpretação é assombrosa. Destaco os temas “I love you, but goodbye”, “Land of dreams”, “Sunday by the sea” e ”Leaving my love”.

 

Classificação | 9 em 10

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