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leituras

“O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente. É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. “

 

“O nosso casamento é uma cultura secreta de hábitos, métodos e sistemas de comunicação. Todos foram criados do zero, a partir do material do eu e do tu originais.”

 

“Vendo bem, os casamentos felizes são muito mais dramáticos, violentos, divertidos e surpreendentes do que os infelizes. Nos casamentos infelizes é que pode haver, mantidas inteligentemente as distâncias, paz e sossego no lar.”

excerto de “Um segredo de um casamento feliz”, de Miguel Esteves Cardoso no Público de 25.Out.2010

“Há uma tentativa, sempre renovada, de esclarecer problemas e, no fundo, os problemas que me interessam são sempre os mesmos. O problema de como as emoções funcionam, de como os sentimentos se estabelecem. Isso prende-se com uma outra grande questão: como é que nasce a mente, como é que nasce o eu e como é que se constrói a mente consciente. “, excerto da entrevista a António Damásio, Público de 18.Out.2010.

Finalmente depois de anos de pausa consegui ler um livro, no caso “No teu deserto” de Miguel Sousa Tavares. Há pelo menos 3 momentos marcantes para mim.

“Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer”.

“Não há regresso. Há viagens sem regresso nem repetição”.

“(…) quando guardam para sempre um instante que nunca se repetirá, as fotografias não mentem – esse instante existiu mesmo. Porém, a mentira consiste em pensar que esse instante é eterno, que dois amantes felizes e abraçados numa fotografia ficaram para sempre felizes e abraçados. É por isso que não gosto de olhar para fotografias antigas: se alguma coisa elas reflectem, não é a felicidade, mas sim a traição -  quando mais não seja, a traição do tempo, a traição daquele mesmo instante em que ali ficámos aprisionados no tempo. Suspensos e felizes, como se a felicidade se pudesse suspender carregando no botão “pausa” no filme da vida”.

“Os adolescentes portugueses têm valores, preocupam-se com o bem-estar da família e sonham ter estabilidade emocional e profissional. Eis o retrato da investigadora Maria Gabriela Sousa e Silva, que contraria o rótulo de que os jovens não têm ideais. Os sonhos e os sentires dos jovens portugueses são retratados pela investigadora em três livros, a lançar quinta-feira, totalmente dedicados à adolescência e que reúnem testemunhos de dezenas de jovens de escolas do país. Em declarações à Lusa, a autora, que é também professora do ensino secundário, explicou que o objectivo foi dar espaço à partilha e divulgação do que realmente sentem e são os adolescentes portugueses. A colecção começa com o livro “Os Sonhos dos Adolescentes”, que contraria a ideia menos positiva de que os jovens não querem fazer nada na vida e não têm objectivos. “Não é nada disso. Este livro mostra que têm ideias muito sérias sobre a vida, que se preocupam com os pais e os avós de idade avançada, que querem ter uma família organizada e constituída e um emprego estável”, relata Maria Gabriela Sousa e Silva. Os sonhos destes jovens têm uma ordem bem definida: alcançar a felicidade, obter estabilidade económica e profissional, conhecer o mundo, estabelecer laços familiares, ter saúde, possuir habilitações académicas, ter casa própria, sentir apoio familiar e ajudar a família e os amigos. Num momento em que a adolescência é sistematicamente vista como um período de desinteresse pelas famílias e em que o tumulto e o conflito se manifestam, com as estatísticas a revelarem inúmeros casos de violência, tanto nas escolas como em casa, estes resultados são, no mínimo, surpreendentes, escreve a autora num dos livros. Perante os resultados obtidos, explica, é necessário abstermo-nos de rotular os adolescentes de “seres desprovidos de sentimentos e valores”. “Eles revelam-nos esses sentimentos e valores nos textos que construíram e nas respostas que elaboraram. Há neles um desejo ilimitado de construção. Desejam ser felizes e nessa felicidade incluem os familiares e amigos”, refere Maria Gabriela de Sousa Silva, no livro “Os Sonhos dos Adolescentes”. Já no livro intitulado “O Ser e o Estar na Adolescência”, a autora defende, depois de mais uma vez ouvir jovens de várias escolas do país, que é premente que a escola se preocupe não só com a aquisição de competências cognitivas mas também com a aquisição de valores e competências humanas. No terceiro livro, é abordado o prazer da leitura na adolescência, concluindo a investigadora que os livros devem ser escolhidos por equipas de trabalho que conheçam os gostos dos jovens. “Hoje, mais do que nunca, é necessário escolher acertadamente a leitura do adolescente ou perder-se-á a hipótese de, no futuro, vermos adolescentes e jovens a lerem”, defende a investigadora, que tem trabalhado na área da literatura emocional e que defende a introdução no currículo escolar de uma disciplina que trabalhe as emoções dos jovens através das obras literárias. No fundo, defende, a magia está em colocar-lhes nas mãos o livro certo, no momento certo.” (por Agência Lusa in i, 29.Out.09)

Adorei a frase final, porque extrapolada para os momento, formatos e dimensões adequados estamos nada mais nada menos do que a falar da magia da vida e no fundamental que é, cada vez mais, sabermos orientar os nossos filhos.

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