Esta expressão ganhou novas formas ao longo dos tempos, de longe menos pejorativas, fazendo apelo ao seu vigor. Mas conseguiste fazer com que lhe conheça o lado pejorativo de novo. Desde que me bateste à porta e já lá vão anos (!) que nada mais fizeste do que (me) contaminar. Abri-te a porta do meu mundo, que sabias de antemão que o faria desde logo, mas nele nem sequer te deste ao trabalho de entrar. Vi-te através do olhar com que mais ninguém te vê, repeti-me no meu incontrolável impulso da escrita de forma dedicada e exclusiva como tanto gostas, numa espécie de revivalismo do passado, ignorando a minha auto-estima e os que me rodeiam*. As tuas recorrentes não-respostas, porque é esse o estilo da tua escrita, eu diria mesmo da tua existência quase esquizofrénica, conseguiram a notável proeza de transformar os meus sentimentos noutros, menos nobres. Porque os sentimentos não se ignoram, não se enterram, eventualmente transformam-se. No meu mundo a única coisa que fizeste foi criar anticorpos, a cada não-resposta tua lá estão eles a crescer mais e mais, nem isto conseguiste decifrar. Mas conseguiste criar um exército, pelo que a mim não me contaminas tu mais.
* adaptado de “Dentro do meu mundo”, in Belogue
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