Álbum produzido por Frank Black, antecipei um casamento perfeito, um resultado genial. Profundamente desapontada. É para mim o álbum mais fraco de PY, em que não reconheço de todo a identidade do autor, por muito que a imagem da capa tente levar a tal. Guitarras à moda de Frank Black não vestem bem a voz de PY, que sai sucessivamente da sua zona de conforto sem que isso se traduza em algo de surpreendente, original ou verdadeiramente bom.
Há músicos ou grupos cujo trabalho conheço mais em detalhe, daquelas descobertas que foram merecendo acompanhamento aos longos dos anos, aqueles álbuns que se tornam bandas sonoras das nossas vidas. Pete Yorn é para mim um bom exemplo disso. Recordo-me perfeitamente do momento em que o 1º álbum me foi dado a ouvir na Auditu, em Leiria, daí até aos dias de hoje o seu trabalho tem feito as minhas delícias. Uma vez cheguei mesmo a partilhar com alguém que se soubesse fazer música gostaria de fazer algo como o PY. Não é música arrebatadora como a de Cocteau Twins, não são letras elaboradas como as de The The ou The Cure, não é uma interpretação como a de Jeff Buckley, mas há algo em PY que me cativa. Acima de tudo a mestria na composição das melodias, a escolha de ambientes sonoros para cada letra, a selecção dos instrumentos, PY é exímio em tudo. É quase impossível não reconhecermos em PY um pouco de tudo o que já ouvimos e que adquirimos visualmente dos EUA, sempre em versões sonoras perfeitas. Vejo-o como o grande sucessor de Springsteen e acho-o sinceramente mais capaz.
Os meus temas preferidos de PY são “EZ” e “Simonize” no 1º álbum “Music for the morning after”, “Crystal village” (que energia!) e “Man in uniform” em “Day I forgot”. Do soberbo “Live from New Jersey” destaco “Bandstand in the sky”, tema dedicado a Jeff Buckley (posteriormente lançado no álbum “Nightcrawler”) e a excelente versão de “Suspicious minds” de Elvis. De “Nightcrawler” sobressaem “For us”, “The man” e “Ice age”.