Escrever sobre o concerto de ontem na Aula Magna é também escrever sobre o mais recente álbum “All days are nights: songs for Lulu”. Não acompanhei Rufus desde sempre, é uma descoberta mais recente para mim e já o terei escrito algures por aqui. De tal forma que falhei por pouco os concertos que antecederam os desta semana no nosso país neste passado recente. But no regrets, at all, até porque a vida, como em tudo, não se esgota aqui. Rufus é uma referência para mim, devolve-me, entre outras coisas, à minha infância. Devolve-me aos clássicos que ouvia em casa dos meus pais, que revisita e recria com genialidade, nos seus mais diversos géneros. Todos os temas de Rufus têm tanto de contenção como de revelação, têm tanto de trágico como de sublime. O mais recente álbum, interpretado em bloco no concerto, é despido no que diz respeito a arranjos e instrumentos e no entanto pleno, denso e complexo, tal como a actuação a que assistimos ontem. Aquele conceito de “less is more” concretizado na perfeição, porque cheio de alma. Verdadeiramente inspirador.
Rufus Wainwright | “All days are nights: songs for Lulu”
Classificação | 9 em 10


